Pode parecer estranho, mas eu nunca tinha ouvido Björk. Ouvi hoje e posso afirmar que foi ótimo ter demorado tanto tempo até ter esse primeiro contato. Se ele fosse há 5 anos eu ia odiar a cantora e nunca mais ouvir, há dois anos ia dizer que era uma merda e ignorar, com toda a parafernália eletrônica e melodias progressivas. Mas hoje não, já estou preparado e treinado para lidar com sons processados em computador, e minha fase de conservadorismo passou. Björk é muito bom e tem uma ótima história, vindo de uma banda que se orgulhava de ser anticomercial a ponto de recusar várias gravadoras para lançar o primeiro disco, tinha a missão de ser para sempre ícone underground na Islândia. Depois ela "evoluiu" para "revelação pop" da primeira metade da década de 90, em seguida revolucionou o próprio som com uma música mais experimental na virada do milênio e, ao que parece, dá sinais de uma "volta-às-origens" com as gravações recentes. Tanto no pop, quanto no experimental, Björk tem talento e competência.
take-a-look >> Björk - Jóga
Já no caso do Animal Collective, o experimental é uma constante na banda. Eles lidam bem com ruídos, ambientações, viagens lúdicas e, como quase tudo recentemente e para o nosso deleite, pop. Não no sentido da Björk que falei há pouco. É mais uma história do pop, uma relação filosófica, de desafio e aprimoramento. E um dos integrantes, Panda Bear, realmente acredita que a música é uma experiência de trascendência. A obra da banda é daquelas que mais me animam, nenhum álbum é igual ao outro e me refiro não à evolução natural que quase toda banda passa (com exceção de Nickelback e algumas outras), mas mudanças na instrumentação e estética. No álbum de estreia, "Spirit The're Gone, Spirit They're Vanished" predomina um experimental nonsense, com instrumentos eletrônicos, o terceiro disco, "Campfire Songs", preza pelo lo-fi e pelo som ambiente totalmente acústico (violões) e os mais recentes "Strawberry Jam" e "Merriweather Post Pavilion" combinam um pop completamente inspirado (soa como homenagem) em Beach Boys misturado com um senso quase minimalista de repetição e uma panaceia de instrumentos evoluindo juntos. Parece tropicália americana. Noise melódico. Sons tribais e Steve Reich. Animal Collective me deixou muito feliz com o que está acontecendo na cena atual. Me deixa empolgado e realmente esperançoso de que aconteça novamente uma revolução musical como ouve na década de 60. O pop está indo cada vez mais longe.
take-a-look >> Animal Collective - In the Flowers
Próxima vez eu falo de Dirty Projectors, outra banda sensacional dos últimos tempos.
belas observaçoes...
ResponderExcluirnao gosto de bjork mas deu ate vontade de ouvir!
escute o homogenic!! é muito bom.
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