29.9.10

Kings of Leon e novo álbum

Kings of Leon teve uma estranha evolução como banda. Passaram do rock and roll de garagem setentista de Youth and Youngmanhood para o Nashville-indie-rock de Aha Shake Heartbreak tão rapidamente que nem foi notado. A inclinação para o indie-rock "de arena" subsequente podia ser sentida, só que apenas para os mais apaixonados, eu imagino. Because of the Times e Only by the Night foram surpresas para mim, talvez por ter arrefecido minha euforia pela banda, depois de King of the Rodeo. Mas esse glam-indie-rock "de arena" que aparece no terceiro e quarto álbuns me agradou muito mais do que eu imaginava que uma banda "crua" como eles podia agradar. Antes eu ouvia Kings of Leon pela nostalgia suja e mal-solada de setenta. Agora eu ouço para realmente ouvir uma banda contemporânea e dinâmica, que evolui sem modernismo algum, apenas com uma capacidade de abstração de cada integrante da banda incrível. É uma das bandas de som provinciano mais inteligentes que existem hoje em dia. Com apoteoses u2ísticas como em "Knocked Up", country-rock pulsante em "Fans", workshop de como deveria soar o Velvet Revolver (um fracasso) em "Charmer" (com direito a gritinhos importados de Roger Waters em "Careful with that Axe, Eugene"), o som glam de "Sex on Fire" e "Use Somebody" e também na reflexão pedofílica de "17". É justamente o "Only by the Night" que apresenta um som mais "de arena", talvez seja a produção acabadíssima. O ponto fraco da banda, na minha opinião, é o baixista Mike Jared Followill, suas linhas não me agradam e ele serve para dar um passo para trás em cada dez passos para frente que conseguem os outros integrantes da banda. Ou seja, não faz muita diferença, a banda continua seguindo.

Tomara que siga mais a frente ainda no próximo disco da banda, chamado "Come Around Sundown" que será lançado no dia 18 ou 19 de outubro, há uma confusão de datas na internet. O disco já tem um single lançado. A música chama-se "Radioactive", e não dá pra fazer leituras muito precisas de como soará esse próximo álbum a partir desta canção (a não ser a postura "filantrópica" do clipe), ela soa muito como a banda já soa, e pra dizer a verdade, não acrescenta nada que a gente não saiba de cada um dos integrantes da banda. Vamos esperar para saber o que acontecerá. Segue o tracklist e a capa do disco.

1 - "The End"
2 - "Radioactive"
3 - "Pyro"
4 - "Mary"
5 - "The Face"
6 - "The Immortals"
7 - "Back Down South"
8 - "Beach Side"
9 - "No Money"
10 - "Pony Up"
11 - "Birthday"
12 - "Mi Amigo"
13 - "Pickup Truck"

16.9.10

Animal Collective e a revelação do mês: Björk

Pode parecer estranho, mas eu nunca tinha ouvido Björk. Ouvi hoje e posso afirmar que foi ótimo ter demorado tanto tempo até ter esse primeiro contato. Se ele fosse há 5 anos eu ia odiar a cantora e nunca mais ouvir, há dois anos ia dizer que era uma merda e ignorar, com toda a parafernália eletrônica e melodias progressivas. Mas hoje não, já estou preparado e treinado para lidar com sons processados em computador, e minha fase de conservadorismo passou. Björk é muito bom e tem uma ótima história, vindo de uma banda que se orgulhava de ser anticomercial a ponto de recusar várias gravadoras para lançar o primeiro disco, tinha a missão de ser para sempre ícone underground na Islândia. Depois ela "evoluiu" para "revelação pop" da primeira metade da década de 90, em seguida revolucionou o próprio som com uma música mais experimental na virada do milênio e, ao que parece, dá sinais de uma "volta-às-origens" com as gravações recentes. Tanto no pop, quanto no experimental, Björk tem talento e competência.

take-a-look >> Björk - Jóga

Já no caso do Animal Collective, o experimental é uma constante na banda. Eles lidam bem com ruídos, ambientações, viagens lúdicas e, como quase tudo recentemente e para o nosso deleite, pop. Não no sentido da Björk que falei há pouco. É mais uma história do pop, uma relação filosófica, de desafio e aprimoramento. E um dos integrantes, Panda Bear, realmente acredita que a música é uma experiência de trascendência. A obra da banda é daquelas que mais me animam, nenhum álbum é igual ao outro e me refiro não à evolução natural que quase toda banda passa (com exceção de Nickelback e algumas outras), mas mudanças na instrumentação e estética. No álbum de estreia, "Spirit The're Gone, Spirit They're Vanished" predomina um experimental nonsense, com instrumentos eletrônicos, o terceiro disco, "Campfire Songs", preza pelo lo-fi e pelo som ambiente totalmente acústico (violões) e os mais recentes "Strawberry Jam" e "Merriweather Post Pavilion" combinam um pop completamente inspirado (soa como homenagem) em Beach Boys misturado com um senso quase minimalista de repetição e uma panaceia de instrumentos evoluindo juntos. Parece tropicália americana. Noise melódico. Sons tribais e Steve Reich. Animal Collective me deixou muito feliz com o que está acontecendo na cena atual. Me deixa empolgado e realmente esperançoso de que aconteça novamente uma revolução musical como ouve na década de 60. O pop está indo cada vez mais longe.

take-a-look >> Animal Collective - In the Flowers

Próxima vez eu falo de Dirty Projectors, outra banda sensacional dos últimos tempos.

13.9.10

Strokes no Fashion Week e álbum novo

Os Strokes tocaram no Metropolitan Opera, na madrugada do dia 12 para o 13, em Nova Iorque, depois de 4 anos sem tocar na cidade. Isso representa, pelo menos para mim, que a banda está ainda viva. Foi um pequeno set de clássicos da banda, para a seleta plateia composta apenas de convidados do New York Fashion Week. Segue o setlist:

'New York City Cops'
'Hard To Explain'
'You Only Live Once'
'12:51'
'Last Nite'
'Reptilia'
'Someday'
'Juicebox'


Eu era e ainda sou muito fã de Strokes. A euforia inicial diminui mas ainda me agrada bastante os dois primeiros álbuns da banda, o terceiro eu não ouvi muito, mas pretendo fazê-lo conforme vá se aproximando a data de lançamento do quarto disco, que está previsto para Março de 2011.

Em alguns comentários ao NME Julian Casablancas defende o produtor que começou os trabalhos com a banda em Room on Fire e está, no momento, trabalhando nas mixagens do novo álbum. David Khane já trabalhou com o Sugar Ray e é de certa forma responsável pela mudança de sonoridade (ambientação) do som cru de Is This It? para o som mais "profissional" (como o próprio Casablancas fala) de Room on Fire. Eu, particularmente, prefiro a sonoridade mais "de garagem" do primeiro disco, mas a mudança deixou o som da banda um pouco mais sensual (não descartável ou assessível), pelo menos a meu ver, e eu também acho interessante.

Em certa altura da reportagem, Casablancas faz uma espécie de apologia a Khane, declarando que o produtor aprecia "música moderna atonal" e que preza a originalidade na música. Eu achei um comentário muito fraco, porque por mais que ele aprecie música atonal, a música dos Strokes não é atonal, é pop. Um pop sujo, mas não deixa de ser pop. Lógico que ele disse isso para defender que Khane não quer transformar os Strokes num Bruce Springsteen ou Elton John, mas não foi um argumento muito convincente. Aguardo o próximo lançamento dos Strokes.

Ano passado Julian Casablancas lançou um álbum solo chamado Phrazes for the Young, muito interessante, vale a pena conferir.

walkthru

Aqui vai um pequeno walkthru sobre como funciona esse blog. Para deixá-lo mais personalizado modifiquei algumas coisas.

looks - lista de postagens
deserves-a-look - lista de blogs que recomendo
looked by - postado por
outlooks - comentários

Em breve, o primeiro took-a-look do blogue, aguardem.

12.9.10

enter took-a-look

Sejam benvindos a este novíssimo blogue de resenha de álbuns took-a-look. Espero que seja repleta de bons auspícios a história deste site. Como não tenho nenhuma resenha preparada, este primeiro post serve apenas de enchição de linguiça e uma espécie de Prefácio do conteúdo vindouro. Andei pensando qual seria a resenha de estreia. Como seria boa uma antologia, talvez Beatles ou Kinks, ou Stones, mas isso daria muito trabalho e acho melhor ser fiel à minha ideologia do início ao fim e começar resenhando algo que estou escutando no momento, o que se resume a alguns atos de Ambient-Techno e bandas Indie.

Neste blogue não há lugar para discussão de estilos que vão além da música, será vista de maneira bem crua a divisão estética que existe. Não me venham com gótico, emo, punk ou alternativo como visto nas avenidas, o que aparecerá por aqui serão esses estilos como representados musicalmente, abstratamente, e isso nada tem a ver com o que se vê, apenas com o que se ouve.

Eu queria também ser de serventia informando os leitores com eventuais lançamentos ou notícias sobre música, porém isso vai ser um pouco difícil pois nem sempre estou eu mesmo 100% informado sobre esse assunto. Portanto fica aqui registrado que não existirá método algum neste blogue, ele funcionará no pleno fluxo de consciência. Também peço perdão antecipado por futuras negligências que acontecerão, existem algumas coisas na música que não tolero, tampouco estou aberto para discussões, mas aqui a exceção será feita já que desejo antes de mais nada diálogo perpétuo com os leitores, se houver algum.

Já começo o conteúdo propriamente dito do blogue informando que no dia 14 de setembro, a banda Of Montreal estará lançando o álbum False Priest e o Vaselines lançará o seu segundo disco de inéditas (!!!), depois de 20 anos, e esse é o destaque deste post de estreia, chamado Sex with an X. Já no dia 27 de setembro, Mark Ronson lançará seu terceiro álbum, que muito aguardo, chamado Record Collection. Finalizo com uma pequena lista de músicas que ouvi hoje:

Beach House - Silver Soul
Death Cab for Cutie - Bend to Squares
Le Tigre - On the Verge
Aphex Twin - Cliffs
Wilco - Deeper Down
Moderat - A New Error
Autechre - r_ess
Roots - The Seed (2.0)
The Orb - Earth (Gaia)
Modest Mouse - Lounge
Vaselines - Ruined